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A estreita relação entre a mente e o corpo

Normalmente as somatizações estão ligadas às pessoas que se consideram responsáveis, preocupadas e necessitam constantemente corresponder às expectativas do outro, além da dificuldade em frustrar os que estão a sua volta.

Você é capaz de imaginar um quadro negro sendo arranhado por unhas poderosas de forma bem lenta e contínua, com tanta força que, a pressão deixa marcas, fazendo com que acumulem embaixo das unhas parte do pó e do material da lousa, até ouvir um estalar das unhas se quebrando?
Se ao pensar nesta cena sentiu uma sensação desconfortável e um tanto indescritível, você começa a entender a relação psíquica entre o corpo e a mente.

As somatizações (doenças manifestadas no físico, ma de origem emocional), bem como o agravamento dos sintomas físicos de uma determinada doença estão vinculados ao pensamento, fazendo com que o corpo reaja a esses estímulos e a determinadas situações de forma insatisfatória.
O estresse, termo usado para conceituar o esgotamento emocional de uma pessoa, está ligado à impossibilidade ou dificuldade dela em enfrentar pressões ou cobranças na vida profissional, familiar, social ou afetiva, levando a um sofrimento psíquico que, em muitos casos, acabam sendo manifestados no corpo.

Normalmente as somatizações estão ligadas às pessoas que se consideram responsáveis, preocupadas e necessitam constantemente corresponder às expectativas do outro, além da dificuldade em frustrar os que estão a sua volta.

A ansiedade, um dos fatores determinantes do estresse, não está relacionada somente ao sofrimento, mas também à motivação. Uma dose ótima de ansiedade faz a pessoa tomar atitudes, fazer escolhas e sentir o prazer indescritível de uma conquista. A dificuldade surge quando os seus níveis ficam muito altos por um período de tempo prolongado, levando a sensações que culminam no esgotamento emocional, como a fadiga, a insônia e a agitação interna, contribuindo assim, para o surgimento de sintomas que muitas vezes são manifestados no físico, como a gastrite nervosa, imptência sexual, entre outras.

O desafio está em transformar a angústia e o sofrimento psíquico sentidos frente à própria vida, em motivação pelas escolhas feitas e pelo desejo de mudança inerente a qualquer pessoa. Isto só é possível pela capacidade simbólica do ser humano em transformar emoções em sentimentos através da linguagem, organizando assim, o seu universo psíquico.

O prazer pelas coisas que estão à volta da pessoa, principalmente a sua rotina e as suas vivências, vem propiciar melhor leitura dos conflitos de ordem emocional, tornando os níveis de ansiedade administráveis, melhorando assim, a qualidade de vida como um todo. Portanto, o bem estar físico ou emocional, muitas vezes está atrelado à harmonia entre o universo simbólico e a sua relação com o próprio corpo.


Fabiano de Souza Botelho
Psicólogo clínico com especialização pela Divisão de Psicologia do Instituto Central Do Hospital das Clínicas - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).




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